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Bancos estudam loja só para pagamentos

31/07/2006 Medida visa reduzir filas nas agências bancárias; 45% dos clientes têm tempo de espera superior a 15 min Os bancos já estudam a criação de uma rede de lojas para recebimento de contas, pagas em dinheiro, como forma de reduzir as filas nos caixas das agências bancárias. O projeto, inspirado nos modelos de Chile e Argentina, é uma das alternativas para agilizar o atendimento bancário, segundo Johan Ribeiro, assessor jurídico da Febraban (federação dos bancos). Hoje, 45% dos usuários dos caixas tradicionais ficam mais de 15 minutos na fila para serem atendidos, segundo pesquisa feita pela TNS Interscience para a Febraban. O que lota as agências, principalmente nos primeiros dez dias de cada mês, é o fluxo de pessoas de baixa renda que pagam contas e boletos em dinheiro. A pesquisa, que será apresentada no 1º Congresso Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamentos, na quarta e na quinta, mostra que 67% dos que enfrentam filas nos bancos têm renda mensal inferior a R$ 1.000. Em 78% dos casos, essas pessoas pagam em dinheiro. "O perfil dos usuários dos caixas tradicionais reflete a informalidade da economia, e a forma de pagamento em dinheiro é resultado da "gestão do caixa" familiar que eles fazem todos os meses", observa Paulo Secches, diretor da TNS Interscience. Esses trabalhadores não têm certeza de quando vai entrar dinheiro em casa, e, muitas vezes, os membros da família se revezam na quitação dos boletos: quem receber primeiro saca o dinheiro e paga as contas. Em sua maioria, eles buscam as agências mais próximas do local de trabalho ou de moradia para essas transações. Segundo a pesquisa, em 79% dos casos, usam caixas de bancos nos quais não têm conta. Para Secches, essa realidade inviabiliza o uso dos caixas automáticos para desafogar as agências. "Os ATMs não aceitam pagamento em dinheiro, aí a pessoa tem de ir para a fila do caixa", diz. ATM é a sigla em inglês para Automatic Telling Machine, os caixas eletrônicos. Uma solução, segundo ele, seria ampliar a rede de correspondentes bancários que funcionam em supermercados, agências dos correios, farmácias e lotéricas. Esses postos avançados só recebem contas de água, luz e telefone. Ribeiro, entretanto, diz que os correspondentes não são uma solução para todos os problemas da demanda por serviços bancários e não devem ser sobrecarregados. "A tendência é que o setor busque formas alternativas às agências bancárias para a prestação de serviços", diz ele. Uma opção é a criação de lojas especializadas em recebimento de contas. Os bancos, porém, não podem criar postos de recebimento de contas, diretamente, pois só têm autorização para abrir agências. "No Chile, a rede Servpag foi criada por dois bancos locais e atendem a cerca de sete instituições financeiras", diz Ribeiro. Os usuários podem sacar dinheiro e fazer pagamentos na mesma loja. Outra alternativa em estudo na Febraban é a criação de um banco de horas: os funcionários das agências teriam uma jornada estendida nos dez primeiros dias do mês, pico da demanda, e nos últimos dez dias trabalhariam menos horas. Também se estuda a possibilidade de contratação de pessoal temporário - estudantes e donas-de-casa- para atender ao público nos períodos de pico.(Folha de São Paulo)





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