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Lucro dos bancos deve bater recorde

31/07/2006 Balanços do 2º trimestre serão divulgados a partir desta semana; analistas prevêem resultados até 20% maiores O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece finalmente ter-se rendido aos fatos. No discurso de inauguração de seu comitê eleitoral em Brasília, no início da semana passada, ele admitiu que os bancos lucraram bastante durante seu governo. “Banqueiro não tinha por que estar contra o governo, porque os bancos ganharam dinheiro e eu dizia textualmente que eu preferia que os bancos ganhassem dinheiro do que ter de fazer um Proer, como foi feito gastando bilhões e bilhões de reais.” O Proer foi o programa de recuperação de bancos implementado durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que, segundo alguns estudos, consumiu mais de R$ 20 bilhões. Desde que Lula assumiu a presidência, os balanços das instituições financeiras têm revelado lucro recorde atrás de lucro recorde. A história deve repetir-se nas próximas semanas, com a divulgação da safra de resultados relativos ao segundo trimestre de 2006. Com exceção do grupo Santander Banespa, que anunciou seus números quinta-feira, os outros gigantes privados publicarão balanços a partir desta semana. O lucro do banco espanhol, aliás, caiu 53% em relação a igual período de 2006. A diferença deveu-se a uma questão contábil. Não fosse isso, os ganhos teriam sido 26% maiores. A agenda continua com o Itaú, na terça-feira. Na segunda-feira que vem, dia 7, será a vez do Bradesco. O resultado do Unibanco sai no dia 10 e o do HSBC, após o dia 15 - o balanço mundial da instituição inglesa será publicado amanhã. Entre os maiores privados do País, apenas o ABN Real ainda não tem a data de divulgação definida - assim como o HSBC, os números mundiais saem amanhã. Maria Laura Pessoa, analista da Fator Corretora, publicou um relatório em que projeta os resultados trimestrais dos três maiores bancos privados. No caso do Bradesco, ela espera que o lucro líquido alcance R$ 1,59 bilhão, 12,3% a mais do que em igual período de 2005. Para o Itaú, a estimativa é de ganho líquido de R$ 1,53 bilhão, 14,6% superior ao do primeiro trimestre do ano passado. O lucro projetado para o Unibanco é de R$ 532,1 milhões, 17,8% maior que o do mesmo período de 2005. “Os números continuarão fortes”, resumiu ela. Relatórios da Unibanco Corretora e do banco suíço UBS obtidos pelo Estado vão na mesma linha. Ambos projetam resultados de 10% a 20% superiores aos do ano passado. De acordo com analistas que acompanham o dia-a-dia do setor, a tendência é de que os ganhos continuem em alta. O que pode - e deve - cair nos próximos anos é a rentabilidade. Segundo Daniel Araújo, analista da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, atualmente os retornos no Brasil estão entre os maiores do mundo. Por aqui, o indicador que mede a relação entre lucro e ativo total médio está na casa de 3%. No resto do planeta, oscila de 1% a 2%. “O Itaú tem rentabilidade três vezes maior que um banco de varejo de país desenvolvido”, exemplificou. Araújo explicou que esse panorama tende a mudar por causa da provável queda dos juros no País para níveis “civilizados”. Hoje, segundo ele, as taxas elevadas encobrem ineficiências das instituições - todas carregam muitos títulos públicos na carteira e ganham dinheiro sem esforço. Não é à toa que todas têm expandido seus empréstimos, principalmente para pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Nesses segmentos, os retornos são altos, o que compensa o risco também maior. Neste ponto, o desafio é manter a qualidade da carteira de crédito. Por enquanto, os analistas dizem que os bancões têm sido bem sucedidos na empreitada. “Eles aprenderam com a história”, disse Maria Laura, referindo-se aos problemas que muitos enfrentaram após o boom de consumo que se seguiu ao Plano Real e culminou com a quebra de instituições como o Bamerindus. Se essa cautela continuar ditando o rumo dos negócios, os resultados independerão de quem será o próximo presidente. “Se Lula for reeleito, o ritmo atual se manterá. Se Alckmin vencer, os retornos poderão ser ainda maiores”, afirmou um analista que pediu anonimato. “Em tese, o candidato do PSDB é mais inclinado a promover reformas que seriam positivas para a economia brasileira, o que é bom para os bancos.” (O Estado de São Paulo - 30/07)





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